Hoje bateu uma saudade…
Quando criança, eu imaginava como seria quando me tornasse adulto. Pensava se continuaria gostando de Pokémon, jogando videogame ou passando horas nos meus amados MMORPGs. Me perguntava se ainda teria meus melhores amigos, se viveria aventuras, teria dinheiro e até como seria viver um amor ou fazer sexo pela primeira vez.
E, olhando hoje, percebo que vivi muita coisa disso tudo, só não a parte do dinheiro… pelo menos não ainda hahaha.
Mas hoje senti falta daquela época em que tudo parecia mais leve. Ainda me vejo como um sonhador, cheio de projetos e ideias, esperando que algum dia eles se concretizem. A diferença é que agora tenho os pés muito mais no chão… e talvez isso às vezes me atrapalhe. Acho que preciso voltar a sonhar um pouco mais, me permitir criar sem tantas barreiras.
Já não tenho mais contato com quase nenhum dos meus melhores amigos daquela época. Na verdade, só um ficou. Mas também conheci pessoas incríveis pelo caminho, me apaixonei, ganhei e perdi dinheiro, vivi aventuras e mudei bastante.
Só que hoje veio um sentimento estranho aqui dentro. Uma vontade quase impossível de voltar a sentir aquela curiosidade inocente de imaginar como seria ter trinta anos. Porque agora, quando tento imaginar o futuro, já me vejo chegando aos sessenta… e isso me assusta.
É estranho perceber que estou envelhecendo. Que daqui algumas décadas eu provavelmente não estarei mais aqui. E o que mais me entristece nem é exatamente a morte, mas a dimensão insignificante da nossa existência diante do universo inteiro. Somos praticamente um grão de areia perdido em algo infinito. Um intervalo minúsculo de tempo em toda a grandeza da existência.
E talvez daqui três ou quatro gerações ninguém mais sequer se lembre de mim. Assim como eu mesmo mal sei quem foram meus tataravós, quais eram seus sonhos, medos ou histórias.
Tenho saudade de quando eu não carregava esse peso. Quando eu não me cobrava tanto por resultados, dinheiro, estabilidade ou sucesso. Saudade da época em que viver parecia mais simples, antes da pressão constante de ter que dar certo, ser um bom marido, um bom provedor, um adulto funcional ou qualquer outro rótulo que colocamos sobre nós mesmos.
Talvez o mais doloroso da vida adulta seja perceber que a liberdade que a gente sonhava quando criança vem acompanhada de responsabilidades que ninguém nos explicou direito. Quando somos pequenos, crescer parece uma promessa. Depois entendemos que crescer também significa perder versões de nós mesmos pelo caminho.
Mas acho que aquela criança ainda existe em algum lugar aqui dentro. Ainda é ela que me faz criar projetos, imaginar mundos, querer desenvolver jogos, contar histórias, sonhar com coisas grandes e acreditar que talvez exista algo além dessa rotina cansativa de sobreviver todos os dias.